terça-feira, setembro 08, 2009

Soneto de Separação


Derrepente, do riso fez-se o pranto.
Silencioso e branco como a bruma.
Das bocas unidas, fez-se a espuma.
Das mãos espalmadas, fez-se o espanto.

Derrepente, da calma, fez-se o vento.
Que dos olhos desfez a ultima chama.
Da paixão, fez-se o pressentimento.
Do momento imóvel, fez-se o drama.

Derrepente, não mais que derrepente,
Fez-se de triste o que se fez de amante.
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo, o distante.
Fez-se da vida uma aventura errante
Derrepente, não mais que derrepente.

Vinicius de Moraes

sexta-feira, agosto 21, 2009

Despedida

Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está aonde as coisa nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranquilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada
Viajo sozinho com o meu coração.
Não ando perdido, mas desencontrado.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o céu e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)
Quero solidão.

Cecília Meireles



quinta-feira, agosto 13, 2009

"Repostagem" de: A um ausente

Tenho razão de senir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida
geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.


Carlos Drummond de Andrade

A sombra


Pra que dissimular?
Se ela me segue aonde quer que eu vá
Melhor encarar
E aprender com ela a caminhar
Não vou mais negar
Por todo caminho minha sombra está

Eu quero saber me querer
Com toda beleza e abominação
Que há em mim

Isso nunca se desfaz
Enquanto há desejo não há paz
Isso nunca se desfaz
Enquanto há desejo não há paz

-Música de Pitty e Martin-

quarta-feira, agosto 12, 2009

É preciso querer para se ter...

O que mais importa, os meus desejos ou os meus sonhos? Até parece que estou falando das mesmas coisas, mas garanto que são assuntos distintos, às vezes me pego sonhando com tudo aquilo que gostaria de ser, tudo que gostaria de conseguir e até mesmo ganhar, diferente de quando penso nas coisas que quero, que tenho ou que eu venha a ganhar de alguém... É como se minha alma precisasse de um combustível e meu corpo de outro. Percebo que, não sou estranho, maluco, sem juízo ou algo que se assemelhe a isso, espero às vezes ser compreendido, num diálogo, envolvido num abraço apertado ou até mesmo naquele olhar anterior a um beijo. Então, mesmo quando tudo parece estar divido entre alma e corpo, a única coisa que não se divide é o meu coração, por esse motivo às vezes fica mais facil deixar para trás aquilo que nos aflige, que nos traz medo, insegurança seria a palavra adequada, por isso, se sonhamos em conseguir consequentemente o resultado disso será ter, gostamos de gannhar, não pedimos, mas normalmente tem que existir alguém do outro lado para isso vir a acontecer. Percebo que faço parte do "todo", em direção ao que a maioria das pessoas querem, apenas ser alguém e ter alguém na vida.

domingo, agosto 09, 2009

Férias SP-capital - 09-08-09

Registrei essa foto hoje, ou melhor, ontem, já são 3:30 da madrugada, fomos ao estádio da Vila Belmiro aí resolvemos passar pela praia de Santos depois dar uma caminhada; coqueiros na beira da praia são clichês, (rs) eles te obrigam a olhar para eles! Não fazem por menos, "pior" ainda é aquela maresia, dá até vontade de se jogar na areia e admirar o céu, mesmo que ele esteja completemente tapado por neblina (rs), é como tomar banho de chuva, abrir a janela e sentir o vento, acordar de manhãzinha e beber leite... Coisas simples, mas que dão prazer em fazer. Me declaro amante das coisas simples, me fazem lembrar um par de olhos azuis, uma pele clara, cabelos castanhos claro e compridos, alguns tingidos de branco pelo tempo, nem por isso perdem o seu brilho... Engraçado, me satisfaço em olhar para a foto e saber que existe um lugar como este, assim como olho para algumas fotos e sei que por mais que algumas pessoas não estejam aqui comigo, eu sei que existem e estão lá, em algum lugar como sempre estiveram e talvez por este e outros mais motivos eu alimente uma indignação, o prazer de sentir tudo isso, e saber que este lugar nada sente por mim ou reflete esforços para me ver, penso e ao mesmo tempo não entendo, só sentir e isso bastar? (...)

quarta-feira, abril 15, 2009

Retomando a decodificação...


É... Realmente; um longo tempo sem passar por aqui... Não, a minha vida não parou, nem eu estava dormindo como o gato ai de cima, só estou vivendo de rotina! Nem pode ''né''?! Mas isso reflete como eu não estava tendo tempo pra esse carinha aqui (eu), mesmo depois de já ter levado'' sermões'' (não os descarto, pois foram muito válidos), só que a verdade mesmo é que acabei me dedicando a ''outro corpo'', você pode estar se perguntando: Que ''outro corpo''? Mas, é isso mesmo... É como vejo meu trabalho, como um corpo, não é diferente disso, resumidamente, olhos, que enxergam os problemas, cérebro e mãos para resolver e colocar em prática, boca, dos outros para criticar e é claro, coração, afinal de contas, não é como a primeira teoria sobre administração, a de que o homem seria como uma máquina de produção, bárbaro isso! Ai, ai... Pra falar a verdade tinha me esquecido de como era bom escrever esses fatos, mesmo que pareçam fúteis, aí você pega um dia, lê, olha pra você mesmo e diz: Nossa (pode ser bom ou ruim, sei lá)!  principalemnte quando se esta querendo ''expressar'' sentimentos (soltar tudo, desabafar, lavar roupa suja, mixiricar, enfim), é uma boa, já que no começo só colocava poemas e textos (não desmerecendo), são ótimos, meus preferidos e dedicados.
Ah, estou em aula (ai, ai, ai faculdade), não vou falar qual é, lógico, vai que o(a) professor(a) veja isso em algum dia de sua maravilhosa vida docente, aí fica chato ''né''?!
Para terminar... Vou repaginar isso aqui (não vou mais usar o termo: ''Quando tiver tempo'', isso é atraso de vida!). Enjôei desse ''climão''!  

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

22 à 24 de Fevereiro de 2009 - Feriado de Carnaval

Pra entrar no clima, nada melhor do que amigos, mesmo que não sejam os melhores, mas são os de sempre, comprar a comida (algumas bobeiras também), abarrotar as mochilas, lembrar de levar os chinelos, a escova e a pasta de dente, torna-se uma tarefa difícil quando se está ancioso. Mas antes que o domingo aponte; sair na noite de sábado, beber com os de sempre, conversar, rir com eles, e voltar pra casa loco pra cair na cama, ainda mais quando é com quem se ama...
...Não menos importante, mas sim a melhor de todas, mesmo sendo ''cruel'', a hora de acordar! Correria! Tomar banho, almoçar de manhã (é engraçado) porque o ônibus toca cedo!
E assim segue-se, sem vento no rosto, porque hoje já existe o abençoado ar condicionado, mas que acaba com a saúde da gente! Tudo normal, até que o pneu estoura... ''xiii'' _Ah teríamos que esperar mais três horas o outro ônibus pro nosso destino mesmo, o que vai custar esperar?
Vai custar muitas fotos, risadas, piadinhas e ''micões''! Até chegar o ônibus reserva...
Já na rodoviária, mais gente ao grupo... Seguimos mais uma vez a viagem...
''Haha'' sem ar condicionado, agora sim, vento no rosto, calor escaldante, mas não menos divertido, pelo contrário! Passam morros, passam pastos, passam vaquinhas, para aqui, para ali, passam pessoas, descem pessoas e sobem pessoas; chegamos!
(...)deixa o resto pra depois.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

AMIGOS de Vinícius de Moraes


Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor.
Eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências.
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. É delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí.
E me envergonho, porque essa minha prece é em síntese, dirigida ao meu bem estar.
Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer.
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que não desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.
Com o meu carinho!
(...)''A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor.'' Destinado a todos os meus amigos. Vocês são para toda uma vida e além dela, sempre e sempre.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

E agora José?...

('Imagem composta por luh - O Grito do Norueguês Edvard Munch, datada de 1893')
...
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José ?
e agora, você ?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama protesta,
e agora, José ?


Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José ?


E agora, José ?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora ?


Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora ?


Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José !


Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José !
José, pra onde ?


Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Amor é bicho instruído



Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo de se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Poética de Vinícius de Moraes


De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O oeste é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

"Embora sem um templo, embora sem altar!"

Fábula: Cúpido e Psique - Psyche et Lamour
Psique era uma jovem tão linda que Vênus passou a ter ciúmes dela. A deusa deu ordens a Cupido para induzir Psique a apaixonar-se por alguma criatura de má aparência, porém o próprio Cupido tornou-se seu amante. Cupido a pôs num palácio, mas somente a visitava na escuridão e a proibiu de tentar vê-lo. Movidas pelo ciúme as irmãs de Psique disseram-lhe que ele era um monstro e iria devorá-la.
Certa noite Psique pegou uma lamparina e iluminou o quarto para ver Cupido adormecido. Excitada diante da visão de sua beleza ela deixou cair sobre Cupido uma gota do óleo da lamparina, e o despertou. Por causa disso o deus abandonou-a, ressentido pela sua desobediência. Sozinha e cheia de remorsos Psique procurou o amante por toda a terra, e várias tarefas difíceis lhe foram impostas por Vênus. A primeira delas foi separar na escuridão da noite as impurezas de um monte enorme de várias espécies de grãos, porém as formigas apiedaram-se de Psique e vieram em grande número para realizar a tarefa por ela.
E assim, por um meio ou por outro, todas as tarefas foram executadas, exceto a última, que consistia em descer ao Hades e trazer o cofre da beleza usado por Perséfone. Psique havia praticamente conseguido realizar a proeza, quando teve a curiosidade de abrir o cofre; este continha não a beleza, e sim um sono mortal que a dominou. Entretanto Júpiter, pressionado por Cupido, consentiu finalmente em seu casamento com a amante, e Psique subiu ao céu.

sábado, fevereiro 07, 2009

Certezas de Mário Quintana


Não quero alguém que morra de amor por mim...
Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim...
Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível...E que esse momento será inesquecível...
Só quero que meu sentimento seja valorizado.Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre...E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.
Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém...e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho...
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento...e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe...
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos, talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas...Que a esperança nunca me pareça um NÃO que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como SIM.
Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros... Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão...Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena.

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

A verdadeira arte de viajar...


A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

Mário Quintana


(...)Amélie Poulain... diga o que você mais gosta de fazer, mas faça; sinta-se bem consigo mesmo, prove para sí o porque de estar aqui e o mais importante; não se esqueça de você! ...Use a sua colherinha! (rs)

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

'...de Mário Quintana'



Somos donos de nossos atos,mas não donos de nossos sentimentos;
Somos culpados pelo que fazemos, mas não somos culpados pelo que sentimos;
Podemos prometer atos, mas não podemos prometer sentimentos...
Atos sao pássaros engailoados, sentimentos são passaros em vôo.

***

Nunca diga te amo se não te interessa.
Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem.
Nunca toque numa vida se não pretende romper um coração.
Nunca olhe nos olhos de alguém se não quiser vê-lo se derramar em lágrimas por causa de ti.
A coisa mais cruel que alguém pode fazer é permitir que alguém se apaixone por você quando você não pretende fazer o mesmo.


(...)existiu! '...aquela fração de segundo, aquele um quarto de hora, num momento só, presentearam-me com asas (ou apenas me fizeram ver as que tenho).'

P.S.

Eternamente grato!



Pequeno trecho de ''Memórias póstumas de Brás Cubas''...

...A manhã era linda. [A borboleta] Veio por ali, fora, modesta e negra,
espairecendo as suas borboletices, sob a vasta cúpula de um céu azul,
que é sempre azul, para todas as asas. Passa pela minha janela, entra e
dá comigo. Suponho que nunca teria visto um homem; não sabia, portanto,
o que era o homem; descreveu infinitas voltas...

Machado de Assis

Ciranda da bailarina de Adriana Partimpim

Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga, tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Verruga nem frieira
Nem falta de maneira ela não tem
Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida ela não tem
Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem
Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo temum primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem
O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem, todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem
Procurando bem
Todo mundo tem...

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

A bailarina de Cecília Meireles



Esta menina
tão pequenina
quer ser bailarina.

Não conhece nem dó nem ré
mas sabe ficar na ponta do pé

Não conhece nem mi nem fá
mas inclina o corpo para cá e para lá.

Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri.

Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.

Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.
(...)

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Existem coisas das quais custamos(eu custava) a acreditar...

.
Soneto
do It. sonnetto, pequeno som
s. m., composição poética de catorze versos, dispostos em duas quadras e dois tercetos;fam., remoque, censura;
sátira.
.
Infinito
do Lat. infinituadj.,
que não tem fim;
que não tem limites nem medidas;
imenso;
ilimitado;
adj. e s. m., Gram.,
infinitivo;s. m.,
o espaço e o tempo considerados em absoluto.
.
Durar
do Lat. durarev. int., ser duro;
ser resistente;
não se gastar;
existir por muito tempo;
permanecer, conservar-se no mesmo estado;
perseverar;
continuar;
prolongar-se;
subsistir;
continuar a existir. estar para lavar e -: estar bem conservado, prometendo duração.
.
Obviamente que me enrosquei na última linha, ''Mas que seja infinito enquanto dure."; é que, as pessoas costumam lembrar dessa frase de uma maneira ''nem tão poética'' ou talvez preferem não mencionar que um relacionamento possa ter um fim, mas colocando em outras palavras conforme o dicionário nos dispõe: Mas que não tenha limites nem medidas enquanto existir. De qualquer forma; aprendamos a acreditar nesse fim de soneto.
Seguindo:
.
Soneto de Fidelidade
.
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
.
Vinicius de Moraes

sábado, janeiro 31, 2009

'Diferentemente igual'


''Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz''

Charles Chaplin


(...)à vida!

''...talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão.''

''...talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão.''
Tirarão tudo de você, mas não todos. Aonde houver esperança... ...ainda há!

Muito e constante!

'O seu sorriso é do que eu mais preciso.'