sexta-feira, agosto 21, 2009

Despedida

Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está aonde as coisa nunca estão,
deixo o mar bravo e o céu tranquilo:
quero solidão.

Meu caminho é sem marcos nem paisagens
E como o conheces? - me perguntarão.
- Por não ter palavras, por não ter imagens.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.

Que procuras? - Tudo. Que desejas? - Nada
Viajo sozinho com o meu coração.
Não ando perdido, mas desencontrado.
Levo o meu rumo na minha mão.

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?

Deixo aqui meu corpo, entre o céu e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão!
Estandarte triste de uma estranha guerra...)
Quero solidão.

Cecília Meireles



quinta-feira, agosto 13, 2009

"Repostagem" de: A um ausente

Tenho razão de senir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida
geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.


Carlos Drummond de Andrade

A sombra


Pra que dissimular?
Se ela me segue aonde quer que eu vá
Melhor encarar
E aprender com ela a caminhar
Não vou mais negar
Por todo caminho minha sombra está

Eu quero saber me querer
Com toda beleza e abominação
Que há em mim

Isso nunca se desfaz
Enquanto há desejo não há paz
Isso nunca se desfaz
Enquanto há desejo não há paz

-Música de Pitty e Martin-

quarta-feira, agosto 12, 2009

É preciso querer para se ter...

O que mais importa, os meus desejos ou os meus sonhos? Até parece que estou falando das mesmas coisas, mas garanto que são assuntos distintos, às vezes me pego sonhando com tudo aquilo que gostaria de ser, tudo que gostaria de conseguir e até mesmo ganhar, diferente de quando penso nas coisas que quero, que tenho ou que eu venha a ganhar de alguém... É como se minha alma precisasse de um combustível e meu corpo de outro. Percebo que, não sou estranho, maluco, sem juízo ou algo que se assemelhe a isso, espero às vezes ser compreendido, num diálogo, envolvido num abraço apertado ou até mesmo naquele olhar anterior a um beijo. Então, mesmo quando tudo parece estar divido entre alma e corpo, a única coisa que não se divide é o meu coração, por esse motivo às vezes fica mais facil deixar para trás aquilo que nos aflige, que nos traz medo, insegurança seria a palavra adequada, por isso, se sonhamos em conseguir consequentemente o resultado disso será ter, gostamos de gannhar, não pedimos, mas normalmente tem que existir alguém do outro lado para isso vir a acontecer. Percebo que faço parte do "todo", em direção ao que a maioria das pessoas querem, apenas ser alguém e ter alguém na vida.

domingo, agosto 09, 2009

Férias SP-capital - 09-08-09

Registrei essa foto hoje, ou melhor, ontem, já são 3:30 da madrugada, fomos ao estádio da Vila Belmiro aí resolvemos passar pela praia de Santos depois dar uma caminhada; coqueiros na beira da praia são clichês, (rs) eles te obrigam a olhar para eles! Não fazem por menos, "pior" ainda é aquela maresia, dá até vontade de se jogar na areia e admirar o céu, mesmo que ele esteja completemente tapado por neblina (rs), é como tomar banho de chuva, abrir a janela e sentir o vento, acordar de manhãzinha e beber leite... Coisas simples, mas que dão prazer em fazer. Me declaro amante das coisas simples, me fazem lembrar um par de olhos azuis, uma pele clara, cabelos castanhos claro e compridos, alguns tingidos de branco pelo tempo, nem por isso perdem o seu brilho... Engraçado, me satisfaço em olhar para a foto e saber que existe um lugar como este, assim como olho para algumas fotos e sei que por mais que algumas pessoas não estejam aqui comigo, eu sei que existem e estão lá, em algum lugar como sempre estiveram e talvez por este e outros mais motivos eu alimente uma indignação, o prazer de sentir tudo isso, e saber que este lugar nada sente por mim ou reflete esforços para me ver, penso e ao mesmo tempo não entendo, só sentir e isso bastar? (...)

''...talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão.''

''...talvez perdesse os sonhos dentro de mim e vivesse na escuridão.''
Tirarão tudo de você, mas não todos. Aonde houver esperança... ...ainda há!

Muito e constante!

'O seu sorriso é do que eu mais preciso.'